quinta-feira, 1 de outubro de 2020

A batalha por insulina com o governo brasileiro

Estamos constantemente mobilizados para aprimorar o tratamento e o acesso a uma saúde de qualidade entre os milhões de brasileiros que convivem com o diabetes. E não podemos baixar a guarda.

Depois de uma ação integrada entre a Sociedade Brasileira de Diabetes, a ADJ Diabetes Brasil, 35 associações de pacientes e outras entidades médicas com o objetivo de convencer o Ministério da Saúde sobre a superioridade de eficácia das insulinas análogas de ação rápida, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos finalmente incorporou esses medicamentos ao SUS em fevereiro de 2017 a fim de melhorar o tratamento de pessoas com o diabetes tipo 1.

Depois de muita pressão dessas instituições, somente em novembro de 2018 a ADJ recebeu o comunicado de que as insulinas haviam chegado de fato e iriam ser disponibilizadas para os pacientes brasileiros nas unidades dispensadoras do país. Assim, foram adquiridas quase 4 milhões de canetas de insulina análoga de ação rápida para atender 396 050 cidadãos com diabetes tipo 1.

No ano passado, alertamos insistentemente o Ministério da Saúde de que havia uma burocracia enorme para retirar essas insulinas. Para ter acesso à medicação, os pacientes tinham de levar uma receita médica assinada por um endocrinologista — sendo que nem todos os municípios brasileiros contam com essa especialidade — e o laudo de medicamento especializado (LME) preenchido por esse profissional, algo que pode levar mais de 40 minutos. Em alguns estados, ainda são solicitadas atualizações das prescrições médicas a cada três meses, salvo agora na pandemia. No geral, observamos uma falta de conhecimento sobre essa nova tecnologia no SUS tanto entre médicos como entre pacientes.

Mas o Ministério da Saúde não nos deu ouvidos. Em 2020, o governo ficou sem falar conosco por meses alegando a pandemia. Por isso, resolvemos montar uma estratégia de guerra. Levantamos os dados via Lei de Acesso à Informação, ferramenta que permite a qualquer cidadão solicitar informações a órgãos e entidades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, sem precisar apresentar qualquer motivo.

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Assim, em agosto, soubemos que somente 11% das pessoas com diabetes tipo 1 tiveram acesso ao medicamento fornecido pelo SUS. Fizemos as contas e percebemos que entre 900 mil e 1,4 milhão canetas já adquiridas, porém não distribuídas, iriam vencer até junho do ano que vem.

Toda a diretoria e o conselho da ADJ Diabetes Brasil ficaram revoltados. Com essas informações em mãos, desenvolvemos uma estratégia que pode e deve ser aplicada por qualquer associação de pessoas com uma doença ou grupos em prol de uma causa: lançamos uma campanha digital nas redes sociais com a hashtag #insulinaacessofacil e começamos a compartilhar mensagens marcando o @MinisteriodaSaude. Mobilizamos as associações de pessoas com diabetes, influenciadores digitais e outros atores da sociedade. Ao todo, alcançamos mais de 300 mil brasileiros.

Não paramos aí e sensibilizamos a imprensa para divulgar e cobrar respostas sobre a situação. Como o Ministério da Saúde percebeu que seguiríamos em frente, fizemos uma reunião com seus representantes e a instituição se comprometeu a retirar o LME para dispensação da insulina e a formar um grupo de trabalho, com o qual poderemos discutir como será a disponibilização do medicamento nos postos de saúde e como reduzir o desperdício de insulinas.

Continuaremos acompanhando essa questão e propondo e monitorando outras políticas públicas de acesso para qualificar o tratamento do diabetes no Brasil. E aproveito para finalizar com uma mensagem: quando mostramos ao governo que estamos unidos e nos empoderamos com a informação, que nossa causa é legítima e somos ativos na fiscalização dos programas públicos, que as dificuldades podem ser resolvidas na esfera coletiva e que o voto e a cidadania conscientes são decisivos para construir uma sociedade mais justa e zelosa de seus deveres e direitos, abrimos um caminho para um país mais igualitário e feliz.

* Vanessa Pirolo é jornalista, tem diabetes tipo 1 há 20 anos e representa 35 associações de diabetes em políticas públicas junto ao Governo Federal pela ADJ Diabetes Brasil, além de ser uma das autoras do livro Doenças Crônicas – Saiba como Prevenir!

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Astrounautas finalmente descobrem local de vazamento de ar na ISS

É o fim de um mistério espacial de mais de um ano: astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) encontraram o local de origem de um vazamento de ar detectado há meses após uma busca meticulosa na madrugada da última terça-feira. Segundo a Nasa e a agência espacial russa Roscosmos, o ar está escapando de do módulo de serviços Zvezda, o principal componente da parte russa da ISS.

A descoberta foi feita quando os astronautas russos Anatoly Ivanishin e Ivan Vagner e o americano Chris Cassidy foram acordados propositalmente pela equipe de controle na Terra após ser detectado um aumento repentino no vazamento de ar, que motivou os controladores a encontrarem o culpado com urgência.

A ISS está viajando pela órbita da Terra, mas é um ambiente totalmente pressurizado. É normal que vaze um pouco de ar dela – e por isso há tanques cheios de nitrogênio e oxigênio prontos para reabastecer seus módulos e repressurizar a estação, caso necessário. Porém, em setembro de 2019, a saída de ar da estação passou a ser acima do normal, indicando um vazamento – mesmo que pequeno e sem perigos iminentes. 

Nos últimos meses, o vazamento foi aumentando, mas também de forma não tão preocupante. Foi só na noite desta segunda-feira que um aumento considerado expressivo pareceu ocorrer, o que motivou a equipe de controle na Terra a acordar os astronautas. Mais tarde, porém, foi anunciado que não houve de fato um aumento do vazamento, como se acreditava, e sim uma mudança temporária na temperatura dentro da estação que foi entendida erroneamente como um aumento da despressurização – o ritmo de saída do ar permanecia o mesmo de antes.

Pelo menos os astronautas não acordaram à toa: foi graças a esse alerta que eles finalmente encontraram o local exato do vazamento. Nas buscas anteriores, os dados já haviam mostrado que a fonte estava provavelmente no lado russo da Estação Espacial, então os tripulantes se fecharam nesse local e começaram a coletar dados de cada módulo com um aparelho de ultrassom, fechando as escotilhas entre eles para se assegurar que estavam sempre isolados. Com isso, descobriram que o vazamento está no Zvezda, o principal módulo de serviços russo, que abriga até dois astronautas durantes as missões. 

O ponto exato do vazamento, porém, ainda não foi encontrado. A Nasa anunciou que ele está provavelmente no “compartimento de trabalho”, a região onde a tripulação habita e trabalha no dia a dia, o que é positivo porque essa área é mais acessível para buscas. Mesmo assim, não é uma tarefa fácil. Em 2018, quando um outro vazamento de ar foi detectado, o culpado era um buraco de apenas 2 milímetros na parte externa de um módulo russo.

A descoberta ocorre em uma época especialmente movimentada na ISS: no próximo dia 14, a astronauta americana Kate Rubins e os cosmonautas Sergey Ryzhikov e Sergey Kud-Sverchkov iniciarão sua jornada até a estação. E, no final deste mês, a missão Crew-1, da Nasa em parceria com a SpaceX, levará mais quatro tripulantes ao local. Logo depois disso, espera-se que os três ocupantes atuais retornem à Terra. Quem será o responsável pela missão de achar o tal buraco nesse vai-e-vem ainda é um mistério, mas a Nasa diz que não será um problema: “O vazamento, que foi investigado por várias semanas, não representa nenhum perigo imediato para a tripulação com a taxa atual, e é apenas um ligeiro desvio na programação da tripulação”, afirmou a agência em seu blog.

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Cientistas dizem que sonda encontrou fosfina em Vênus em 1978 – mas ninguém percebeu

O dia 14 de setembro de 2020 foi um dos mais importantes dos últimos anos para a astronomia. Um estudo publicado na Nature Astronomy revelou a presença de fosfina nas nuvens de Vênus. A detecção por si só não diz muita coisa – mas o que ela representa, sim. Após simulações, os cientistas concluíram que as condições de pressão e temperatura do planeta não permitiriam a produção dessa substância de forma espontânea. A explicação, portanto, poderia ser a presença de microorganismos anaeróbios. 

Somente a presença de fosfina em Vênus não é suficiente para confirmar a descoberta de vida fora da Terra. É possível que algum processo químico desconhecido esteja acontecendo nas nuvens – e além disso, a atmosfera do planeta é considerada muito quente e ácida para abrigar vida. Mesmo assim, a presença do gás é um bom indicador de que vale a pena investigar nosso vizinho planetário.

Se realmente existirem microorganismos produzindo fosfina em Vênus, é possível que a Nasa já os tivesse detectado – mas deixado a informação passar. É o que concluiu a equipe do bioquímico Rakesh Mogul, da Universidade Politécnica da Califórnia, após analisar dados antigos da agência espacial. O artigo foi submetido à Nature e ainda não passou por revisão de pares.

A sonda LNMS fazia parte da missão Pioneer 13, da Nasa, e foi lançada em agosto de 1978, chegando a Vênus em dezembro do mesmo ano. O instrumento astronômico era composto por uma sonda grande que soltou quatro sondas menores na atmosfera de Vênus, como você pode ser na ilustração do início desta matéria. Enquanto as sondas eram puxadas pela gravidade do planeta, elas coletavam e enviavam os dados aos astrônomos da Terra.

A Pioneer 13 coletou informações sobre radiação, luminosidade, temperatura, pressão e composição da atmosfera, entre outras características do planeta. Segundo os autores do artigo, a sonda já havia detectado fosfina em Vênus naquela época, mas ninguém deu muita atenção.

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A equipe já havia trabalhado e estava familiarizada com os dados da missão dos anos 1970. “Para nós, foi natural dar uma segunda olhada nos dados. Depois de consultar com meus colegas, nós identificamos os artigos científicos originais e começamos a procurar por compostos com fósforo”, disse o autor ao site LiveScience.

A fosfina nada mais é do que uma molécula com três átomos de hidrogênio ligados a um de fósforo. Na época, os pesquisadores não se aprofundaram nos compostos envolvendo fósforo, resolvendo focar mais em outros químicos.

A equipe da Califórnia reavaliou os dados dos gases entre 50 e 60 quilômetros de altitude – região que poderia abrigar vida. Encontrou sinais de fosfina e átomos de fósforo, que possivelmente teriam vindo desse gás. A sonda não foi construída para ser sensível à fosfina, então poderia confundir gases de massa semelhante. Mesmo assim, a amostra analisada mostrou evidência de moléculas com massa igual à fosfina e em níveis semelhantes aos que foram publicados no meio de setembro.

Mas porque ninguém deu atenção a isso na época? “A evidência de substâncias químicas que poderiam ser indicadoras de vida foram deixados de lado porque não se acreditava que elas poderiam existir naquela atmosfera” diz Mogul. Somado ao fato de que a sonda não era tão sensível a esses compostos, os dados podem ter sido interpretados como erros. “Muitas pessoas agora estão repensando a noção de Vênus como um ambiente que não suportaria esses tipos de substâncias”, completa.

Os dados de 1978 não acrescentam nenhuma novidade à possibilidade de vida no planeta, mas reforçam a presença da fosfina na atmosfera. Se a empreitada pela busca dos microorganismos em Vênus tivesse começado há 40 anos, talvez já vivêssemos em um mundo em que a vida fora da Terra não fosse apenas uma hipótese, e sim um fato.

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Mais fibras para engravidar

Essa conexão apareceu numa pesquisa feita com quase 7 mil americanas e dinamarquesas de 18 a 45 anos. Todas estavam tentando engravidar, sem nenhum tratamento, e responderam a um questionário sobre hábitos alimentares. Ao cruzar os dados, veio a constatação: as mulheres que relataram alto consumo de açúcar ou carboidrato simples, como massa e arroz branco, encararam uma taxa de fecundação menor do que quem ingeria mais fibras e controlava melhor a glicose no sangue.

“Em geral, a carência de fibras revela escolhas menos saudáveis à mesa, com consequente aumento de gordura corporal, e isso interfere na ovulação”, avalia Gabriela Halpern, nutricionista do Fertility — Centro de Fertilização Assistida, em São Paulo. “Com os ciclos irregulares, por sua vez, fica mais difícil engravidar.” Daí a orientação de, antes mesmo de pensar em bebês, já montar um menu com frutas, verduras, legumes e cereais integrais. “Até porque as fibras também ajudam a eliminar toxinas e a deixar o corpo todo funcionando de forma mais adequada”, nota Gabriela.

O elo perdido entre glicose, ovário policístico e fertilidade

Ganho de peso, menstruação irregular e dificuldade de engravidar compõem o perfil clássico da síndrome do ovário policístico. “A resistência à insulina decorrente da gordura abdominal eleva a glicemia e descontrola os hormônios. Com isso, os óvulos não amadurecem para a fecundação”, explica a obstetra Beatriz Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP). Mudanças no estilo de vida e certas medicações ajudam a contornar o quadro. “Adequar dieta e atividade física leva à perda de peso e reorganiza os ciclos”, diz a médica.

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De onde vem o oxigênio da ISS?

Da água. A corrente elétrica gerada pelos painéis de energia solar da Estação Espacial Internacional (ISS) passa por um tanque de moléculas de H2O – que, energizadas, se separam em moléculas de O2 (oxigênio) e H2 (hidrogênio). O nome desse processo é eletrólise.

Às vezes, quando as máquinas de eletrólise não estão ativadas, os astronautas respiram temporariamente usando tanques de clorato de sódio (não confundir com cloreto de sódio). Esse pó branco, em temperaturas superiores a 250 oC, se decompõe, liberando oxigênio e, agora sim, cloreto de sódio (sal de cozinha). O clorato também é usado nas máscaras de oxigênio que caem do teto em caso de despressurização da cabine em um avião de passageiros.


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Outubro Rosa: destaques sobre o câncer de mama e a saúde das mulheres

A mensagem original do Outubro Rosa se voltava para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. E sim: até hoje isso segue muito importante, até porque dados do Instituto Nacional de Câncer estimam 66 280 novos casos só em 2020. Mas, atualmente, esse mês também serve para reforçar medidas que melhoram a vida das mulheres que já sofrem com a doença. Além disso, dá a oportunidade de discutirmos a saúde feminina como um todo.

Em homenagem ao Outubro Rosa 2020, Veja Saúde selecionou notícias dos últimos meses que ajudam as mulheres a lidar melhor com o câncer de mama e com seu bem-estar de maneira integral. Confira:

Estilo de vida e câncer de mama

Conhecer para se proteger da doença

Tratamentos, exames e novas tecnologias

Saúde feminina para além do câncer de mama


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Enfermagem, a espinha dorsal do cuidado com a saúde

A Organização Mundial da Saúde elegeu 2020 como o ano internacional dos profissionais de enfermagem. A meta é valorizar essa profissão e sua função para o sistema de saúde como todo. E, claro, o podcast Detetives da SAÚDE não ficaria fora dessa. Ouça:

Durante o episódio, você vai conhecer os diferentes papéis dos enfermeiros, tanto dentro como fora do hospital. Engana-se quem pensa que eles não podem indicar exames e remédios…

Uma de nossas convidadas é Ana Maria Chiesa, enfermeira, professora da Universidade de São Paulo e consultora técnica da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. A outra é Renata Pietro, presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

É possível escutar o programa em diversas plataformas. Estamos no Spotify, no Deezer, no Google Podcasts, no Pocket Casts, no Youtube… Não sabe como ouvir nesses ambientes? Clique aqui.

Se preferir, escute pelo Spotify diretamente aqui:

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