Eu sou Pedro, tenho 27 anos. Trabalho no banco Bradesco como programador web há 3 anos. Inicie como estagiário e fui efetivado após 1 ano de empresa. Sou bastante determinado, organizado e flexível. Pratico natação e tenis duas vezes por semana. Adoro viajar com a namorada para lugares que tenha praia. Tenho bastante interesse por aviação e não dispenso um bom prato de lasanha. Meu blog https://pedrocavalcantiprogramador.blogspot.com/
Estudos realizados em vários países já começaram a revelar mais um efeito da pandemia de SARS-CoV-2: o impacto sobre a saúde mental das pessoas e da sociedade como um todo. E motivos para isso não faltam. Todo mundo tem que ficar em casa, sem saber direito até quando, sendo bombardeado por notícias terríveis (e previsões piores ainda).
Quem é autônomo está sem trabalho. Quem tem comércio não tem mais previsão de faturamento, nem de como pagar os funcionários. E as contas continuam chegando. Como manter o equilíbrio psicológico durante o período de isolamento social? O que os estudos já realizados sobre situações de confinamento podem ensinar sobre o que vem por aí?Descubra agora, nesta conversa com o médico psiquiatra Alexandre Valverde.
Uma nova pesquisa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, mostra que o álcool, independentemente da dose, prejudica o esqueleto de portadores do vírus da imunodeficiência humana, o HIV. Com isso, há um aumento no risco de osteoporose, doença caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos, e de fraturas.
O reumatologista Charlles Heldan, presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso), explica que essas bebidas já elevam a possibilidade do surgimento desses problemas na população em geral. Porém, nas pessoas soropositivas, o perigo é maior por causa dos efeitos do vírus e de alguns medicamentos utilizados contra ele. Tanto é que, ao longo do tratamento, a massa óssea desses pacientes passa por avaliações.
“O que esse estudo demonstra é que o excesso de bebida é um fator de risco a mais para esse grupo”, arremata o especialista.
Participaram da avaliação 198 pacientes, com média de idade de 50 anos, sendo que 93% usavam remédios antirretrovirais. Os cientistas americanos analisaram amostras de sangue de cada um deles para checar os biomarcadores associados ao metabolismo do esqueleto e ao consumo recente de álcool.
Eles também entrevistaram os participantes para checar a quantidade de drinques ingerida anteriormente. Nisso, descobriram que 13% consumiam álcool durante pelo menos 20 dias no mês e a média de taças ou latas a cada 24 horas era de 1,93.
Após as análises, os experts verificaram que, para cada bebida a mais em um dia, os níveis de uma substância considerada como um marcador de formação óssea, chamada de P1NP, caíam 1,09 ng/mL.
Além disso, a taxa de P1NP de quem bebia no mínimo 20 dias durante o mês era mais baixa. E os voluntários com altos índices de um biomarcador relacionado ao consumo de álcool também apresentaram menos P1NP.
Lembrando que outros fatores (idade, sexo, raça, etnia, uso de demais substâncias, níveis de vitamina D e supressão viral do HIV) foram controlados para não influenciarem o resultado.
“Nós não encontramos uma quantidade de álcool que pareça ‘segura’ para o metabolismo ósseo”, afirmou, em comunicado à imprensa, a médica Theresa W. Kim, professora da Universidade de Boston, líder da investigação.
De acordo com Heldan, presidente da Abrasso, o osso é um tecido dinâmico que sofre um processo de remodelação ao longo de toda a vida.
“Na remodelação, o osso envelhecido é trocado. Dentro dele, existem células que absorvem o tecido antigo e outras que depositam o novo”, informa o reumatologista.
Quando uma pessoa bebe excessivamente, a capacidade dessas estruturas se renovarem diminui. É como se o álcool exercesse um efeito tóxico. “O resultado é um desequilíbrio”, resume o profissional. Assim, perdemos densidade óssea.
Para evitar essa encrenca, Heldan diz que o segredo é manter hábitos saudáveis – recomendação que vale para a população em geral.
Entre as atitudes mais consagradas estão investir em fontes de cálcio na dieta (o mineral é o principal componente dos ossos), garantir o acesso à vitamina D (que ajuda a fixar o cálcio no esqueleto) e fazer exercícios físicos.
Quarentena. Supressão. Mitigação. Isolamento (vertical ou horizontal). Achatar a curva. Você já deve ter ouvido muito desses termos nos últimos dias, correto? Sim, diante da ameaça do novo coronavírus, boa parte do mundo adotou estratégias de restrição de contato social entre os seus cidadãos.
Esse ponto é fácil de explicar: se um sujeito está infectado e fica em casa, sem interagir com outros, ele não passa o vírus da Covid-19. Por outro lado, quem está saudável e permanece fechado em seu lar, não corre o risco de pegar a doença.
Pensando nisso, alguns governantes e cientistas passaram a sugerir um caminho alternativo: o isolamento vertical. Nas perguntas abaixo, você vai entender direitinho o que é essa estratégia e porque ela tem tudo para ser ainda mais desastrosa.
A ideia é simples: em vez de mandar todo mundo para casa, fechar escolas e empresas, por que não só isolar as pessoas mais vulneráveis ao novo coronavírus? Pelo que se sabe até agora, a taxa de complicações e mortes é bem maior em alguns grupos: indivíduos acima de 60 anos, portadores de diabetes, hipertensão e doenças cardíacas ou pulmonares.
Ao menos em tese, isso permitiria que os mais jovens voltassem aos estudos e ao trabalho, fazendo girar a roda da economia. Seguindo ainda essa linha de raciocínio, as companhias manteriam seu ritmo de trabalho e as pessoas continuariam a consumir com certa normalidade.
Há outro argumento por aqui: com os indivíduos de 20, 30, 40 e 50 e poucos anos saindo de casa, invariavelmente elas se infectariam com o coronavírus. Como não fazem parte de grupos de risco, não teriam grandes consequências à saúde e ficariam protegidos. Em longo prazo, isso criaria uma “imunidade de rebanho” e evitaria novos surtos ou epidemias provocadas por esse agente infeccioso.
Até certo ponto, sim. Nas primeiras semanas de março, os governos de Reino Unido e Holanda tomaram poucas ações para combater o coronavírus.De acordo com reportagem da revista Science, o primeiro-ministro holandês Mark Rutte rejeitou “fechar o país completamente” e optou por um “contágio controlado” de sua população.
O trabalho avaliou diferentes cenários e as consequências que eles teriam tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos. Vamos explicar as duas estratégias principais que foram avaliadas:
Mitigação: foca em frear, porém não necessariamente parar a circulação do vírus. Protege aqueles que estão sob maior risco. É o isolamento vertical que os próprios ingleses vinham apostando.
Supressão: tenta reverter o crescimento do número de casos, reduzindo o máximo possível o contato social de todos os habitantes. É o isolamento geral praticado em partes da China e em vários outros países pelo mundo.
E o que os resultados mostraram? Mesmo num cenário com o pico de casos reduzido, seria necessário o dobro de leitos de UTI para suprir a demanda de pacientes em estado crítico no Reino Unido. Seriam milhares de mortes nesses dois países, que estão entre os mais ricos e poderosos do globo.
De certa maneira, isso aconteceu pra valer na Itália. Os governantes demoraram a tomar medidas para proteger a população. Quando se deram conta, o número de infectados já era assustador. Não haviam hospitais ou aparelhos para atender toda a demanda. Hoje, são 81 782 casos confirmados e 8 215 mortes nesse país europeu.
Quais seriam os principais problemas do isolamento vertical?
Em primeiro lugar, é difícil isolar apenas algumas pessoas. Pense na realidade dos idosos que moram com os filhos ou os netos. Se os mais jovens voltarem à escola ou ao trabalho e tiverem contato com o coronavírus, vão trazer a doença para dentro de casa. É complicado pensar num isolamento social completo diante da realidade de nossa sociedade.
Traduzindo: são milhões e milhões de indivíduos que fazem parte do grupo de risco da Covid-19, muitos abaixo da faixa etária dos 60 anos. E, mais assustador ainda, vários deles sequer foram diagnosticados e vivem com a doença nas sombras. Como fica a saúde deles? Como vão se isolar com a exigência de voltar aos postos de trabalho?
Os defensores do isolamento vertical também se baseiam nos números da Coreia do Sul, país que obteve ótimos resultados no combate ao novo coronavírus (no dia 26 de março, eram 9 241 casos confirmados e 131 mortes por lá). O argumento é que a mortalidade da doença nesse país asiático ficou em torno de 1%, o que justificaria medidas mais suaves.
Mas a questão é que a Coreia do Sul adotou outra ação muito eficaz: fazer testes em massa na população. Desse modo, eles conseguiram detectar até os casos mais leves e isolar essas pessoas, para que elas não passassem a doença para os outros.
O drama é que o mundo não tem capacidade de realizar tantos exames assim. Não existe nem material, nem dinheiro para disponibilizar esse serviço em larga escala. O Brasil mesmo só realiza testes nos pacientes mais graves, que estão internados.
E o que isso significa na prática? Em resumo, não conhecemos o número real de infectados pelo novo coronavírus. Se a taxa de mortalidade foi 1% na Coreia do Sul, ela subiu para 2% na China. E saltou para quase 10% na Itália.
Uma simples conta de padaria dá a dimensão do problema. Vamos levar em consideração as projeções de que 70% da população mundial vai se infectar com coronavírus. Isso significa que 4,9 bilhões de pessoas terão a Covid-19 (a maioria com sintomas leves ou até imperceptíveis).
A bem da verdade, ninguém sabe (e isso pode variar de nação para nação). Mas o que tem se mostrado mais efetivo é um isolamento mais abrangente: escolas e universidades fechadas, empresas em regime de home office quando possível e serviços essenciais abertos, como supermercados e farmácias. Essa é a estratégia que está em vigor em boa parte do mundo, com diferentes níveis de rigor. Em Singapura, por exemplo, cidadãos que saírem às ruas sem uma boa justificativa tomam multa pesada.
Claro que, eventualmente, as pessoas precisarão deixar suas casas para tocar a vida. Mas quando isso é feito aos poucos, a demanda de atendimento e internação no sistema de saúde fica menor e mais sustentável.
É o que os especialistas chamam de “achatar a curva”: em vez de todo mundo ir numa única semana ao pronto-socorro, as medidas de isolamento social seguram a barra e permitem que a população se infecte com o coronavírus num ritmo mais lento, a ponto de garantir acesso maior às UTIs e respiradores.
O exemplo de Wuhan, a cidade na China onde tudo começou, é claro: após três meses de quarentena total, as autoridades começam a ensaiar a volta à normalidade. E o tempo em que isso será feito fará toda a diferença.
Um estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres publicado no periódicoThe Lancetmostra que, se o isolamento em Wuhan for revogado no final de março, um novo pico de casos de Covid-19 vai acontecer por lá em agosto de 2020. Se esperar até abril para promover essa liberação, o aumento de casos ocorrerá por volta de outubro, o que significa mais tempo para se preparar e aguentar a segunda onda dessa tormenta.
Outras atitudes essenciais para superar essa crise são a construção de hospitais de campanha, como aconteceu na China, a realização de testes em massa (caso da Coreia do Sul) ou o fechamento de fronteiras antes de os primeiros casos aparecerem—o Panamá tomou essa decisão logo no início, o que atrasou um pouco a chegada da doença por lá (hoje já são 558 casos e 8 mortes no país da América Central).
Para minimizar isso, precisamos contar com políticas públicas que protejam as parcelas mais vulneráveis da população, principalmente aqueles que trabalham sem carteira assinada ou são profissionais autônomos. É necessário pensar também num plano de proteção às pequenas e médias empresas, pois a falência delas significa mais desemprego.
A despeito de declarações e pronunciamentos, por ora não existe nenhum posicionamento oficial de como a questão do isolamento será tratada no Brasil. A depender da postura dos representantes do Ministério da Saúde nas últimas coletivas de imprensa, a tendência é de uma individualização: algumas cidades ou estados precisarão fazer quarentena total, enquanto em outros locais esse tipo de estratégia não será colocado em prática.
Certos estados se adiantaram e decretaram o fechamento das escolas e do comércio não essencial. É o caso de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo. Mas não há previsão de medidas mais rígidas, como a proibição da circulação nas ruas ou multas para quem for pego zanzando por aí.
E como eu devo agir?
Para evitar qualquer risco desnecessário, o ideal é ficar em casa se você tem essa possibilidade. Saia apenas quando necessário. E, claro, siga as orientações das secretarias de saúde de seu município e estado e do Ministério da Saúde.
Não se sabe exatamente o motivo, mas o novo coronavírus (Sars-Cov-2) é mais leve em crianças. Além disso, ao que tudo indica, ele não tem predileção por essa faixa etária. “Uma revisão de 72 314 casos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças Chinês mostrou que menos de 1% acometiam menores de 10 anos”, afirma Roberto Muniz, infectologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, na capital paulista.
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine trouxe dados importantes sobre a infecção em crianças tratadas no Hospital Infantil de Wuhan, na China. Foram testadas 1 391 meninos e meninas e apenas 171 estavam com Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus (12,3%). Desse total, 41,5% tiveram febre e 15,8% não manifestaram sintomas.
Somente 12 pacientes apresentaram características de pneumonia e três dos internados precisaram de ventilação mecânica, sendo que todos tinham condições pré-existentes. Houve uma morte.
Já nas grávidas, que geralmente fazem parte dos grupos de risco de infecções e doenças respiratórias, a percepção é de que o Sars-Cov-2 também teria um bom prognóstico. Para entender um pouco mais e sanar dúvidas importantes, conversamos com infectologistas e pediatras para resolver 8 questões comuns.
1. Por que as crianças são menos suscetíveis ao novo coronavírus?
Essa é uma pergunta sem resposta certa — ainda. No momento, o que a literatura médica tem são hipóteses. Alguns autores, por exemplo, sugerem que o Sars-Cov-2 age em receptores das células do corpo que podem ser diferentes em adultos e crianças, como os que regulam a pressão arterial.
De qualquer forma, há uma constatação de que o curso da doença em crianças dificilmente evolui para complicações severas.
“O acometimento de forma grave é desproporcional ao de outras faixas etárias. A estatística em menores de 10 anos é praticamente desprezível. E esse é um fenômeno diferente de tudo o que conhecíamos, já que os vírus respiratórios costumam afetar as faixas etárias extremas, por causa do sistema imunológico imaturo em crianças e envelhecido em idosos”, pontua Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
“Mas vale termos atenção às crianças com condições como deficiência imunológica e problemas respiratórios crônicos, a exemplo da asma. A princípio, elas são mais suscetíveis”, aponta Marcelo Mimica, infectologista pediátrico do Fleury Medicina e Saúde.
2. Crianças assintomáticas podem transmitir a doença?
Sim. Verdade que, quando os sintomas são mais fortes, a transmissão é facilitada, já que o vírus fica no trato respiratório e a tosse tende a espalhá-lo pelo ambiente.
“Porém, estudos preliminares apontam que crianças assintomáticas podem transmitir a doença e, inclusive, por um período maior. Daí a importância de afastá-las dos idosos nesse momento de isolamento social”, pondera Muniz.
3. As crianças saudáveis podem sair de dentro de casa?
Quintais de casa estão liberados, mas a descida às áreas comuns de condomínios divide opiniões de médicos. Alguns acreditam que o melhor é evitar qualquer tipo de risco, ao passo que outros acham importante uma escapada para tomar um ar. Convenhamos que não é fácil ficar com uma criança o dia todo em um lugar fechado.
“Tudo bem se não houver outras pessoas além dos moradores da casa envolvidos nessa saída e se os cuidados com higienização forem devidamente tomados”, defende Mimica.
4. Quais cuidados a família deve ter com pequenos infectados pelo coronavírus?
“Nesse caso, a recomendação é que os próprios familiares usem máscaras e as mãos de todos sejam constantemente lavadas para reduzir o risco de os cuidadores adoecerem”, preconiza Kfouri.
Em relação ao tratamento, ele via de regra envolve aliviar os sintomas, com uso de antitérmicos para febre, por exemplo. Contudo, fique atento à evolução do quadro — caso haja dificuldade para respirar, dor no tórax ou febre incessante, procure atendimento.
5. O novo coronavírus apresenta risco para um bebê em gestação?
Não há evidências de transmissão vertical — ou seja, de que a mulher grávida passe o Sars-Cov-2 para o feto.
O infectologista Roberto Muniz dá o exemplo de um relatório da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na China, que se baseou em quatro gestantes que estavam próximas da hora do parto, na cidade de Wuhan. As mães não apresentaram complicações e os bebês não nasceram com sintomas da doença, como febre, tosse ou diarreia. “Três deles foram submetidos ao teste de Covid-19 e deram negativo. O quarto não foi testado porque os pais não autorizaram”, revela.
“Sabemos que gestantes com influenza, o vírus da gripe, costumam adoecer de forma mais grave. Mas, curiosamente, elas não apresentaram o mesmo comportamento com o novo coronavírus em estudo feitos em outros países”, compara Kfouri.
7. Mães infectadas com o Sars-Cov-2 devem amamentar?
O infectologista ainda destaca que diversas análises do leite de lactantes não apontaram presença do vírus que está causando uma pandemia global.
8. Gestantes e crianças devem tomar a vacina da gripe?
“Sim. Prevenir-se da gripe ajuda a diminuir complicações e visitas ao serviço de saúde, além de minimizar as suspeitas do novo coronavírus, que tem os mesmos sintomas”, alertas Kfouri. “Mas é preciso que o posto esteja organizado para atender a demanda conforme orientações de segurança e prevenção nesse momento”, complementa.
No mais, o Ministério da Saúde pede para que as mães adiem a aplicação de vacinas do sarampo e outras doenças até o dia 16 de abril. Isso porque, no momento, os idosos estão indo aos postos para tomar o imunizante da gripe. E, quanto menos gente cruzando o caminho deles em tempos de coronavírus, melhor.
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Conclusão
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Do ponto de vista de saúde, ficar em casa é o melhor a fazer para evitar a transmissão do novo coronavírus, também chamado de Sars-Cov-2. A regra, embora aplicável a todo mundo, é especialmente válida para pessoas infectadas — com sintomas leves ou mesmo assintomáticas — , casos suspeitos em investigação, familiares que convivem na mesma residência, viajantes que retornaram do exterior e grupos de risco (idoso, diabéticos, hipertensos). Sair do isolamento social, só se for realmente necessário.
Nas casas onde há alguém infectado ou com suspeita de coronavírus
O paciente com Covid-19, manifestando sintomas ou não, necessita permanecer em quarto isolado e ventilado. Nas residências onde isso é impossível, os outros moradores têm que ficar a pelo menos um metro de distância.
O portador deve dormir em cama separada e só pode se locomover para ambientes de uso comum, como cozinha e banheiro, se estiver com a máscara cirúrgica. Não compartilhe nenhum utensílio com ele.
Escolha um familiar para atender o enfermo — de preferência, alguém com boa saúde e sem doenças crônicas. Quando estiver perto do doente, o cuidador deve utilizar uma máscara descartável e trocá-la caso fique úmida ou com secreções. Nunca toque ou mexa no instrumento de proteção enquanto estiver perto do paciente.
Tem mais: higienize as superfícies do quarto e do banheiro diariamente. Para limpar, use primeiro sabão ou detergente e depois um desinfetante comum com hipoclorito de sódio a 0,1%.
Recolha lixo, roupas, toalhas, lençóis e cobertores usando luvas de proteção. As peças têm que ser lavadas com sabão comum e água, idealmente entre 60 e 90ºC.
Os moradores, especialmente o cuidador e o doente, precisam limpar as mãos frequentemente, dando preferência ao papel toalha para secá-las. Se espirrar ou tossir, volte a higienizá-las — ou aposte no álcool gel.
Ah, e todas essas ações valem para casos suspeitos ou indivíduos que retornaram de outro país. E nada de receber visitas nesse período, combinado?
Nas casas onde não há infectados nem casos suspeitos
Apesar de o Brasil não estar em regime de quarentena — com exceção do estado de São Paulo e da capital do Rio de Janeiro —, a recomendação é sair o mínimo possível, evitando aglomerações. É o chamado distanciamento social. Em outras palavras, melhor ficar quietinho, adiar festas em casa e deixar os cômodos limpos.
Aliás, SAÚDE publicou uma nota explicando o que você precisa fazer quando chegar da rua para prevenir a infecção. Clique aqui para ler.
Urano, o antigo senhor do mundo, estava derrotado e humilhado. Agora, havia chegado a hora dos titãs. Coube a eles governar as terras vastas e os mares profundos que haviam nascido de Gaia, a grande Mãe Terra. Embora fosse o caçula, Cronos era o mais astuto, o mais destacado e o mais temível entre todos os seus irmãos. Os gregos e os romanos o adoravam como deus do tempo – sempre empunhando a foice, sem piedade e pronto a destruir tudo o que existisse. Apenas sua irmã Mnemósine – deusa da memória – ousava se opor a ele, preservando um pouco do que Cronos destruía. Mas, no final, o tempo sempre vence a memória.
Oceano, o mais velho dos titãs, não tinha interesse algum em disputar o mando com o irmão mais novo. Foi viver nos confins do mundo, transformando-se em um gigantesco fluxo de água, uma espécie de rio circular que envolvia toda a Terra. Do imenso Rio Oceano – assim era chamado pelos gregos –, fluía toda a água fresca dos córregos, das fontes e das cachoeiras. Já as águas salgadas eram território de Ponto e seus filhos. Os outros titãs e titânides se espalharam por diferentes partes do mundo.
Cronos era um governante ciumento, despótico e paranoico. Desconfiava dos outros titãs, mas não ousava desafiá-los abertamente. Deixou que vagassem pelo mundo, desde que não interferissem com seu governo. Já em relação a seus outros irmãos, os ciclopes e os hecatônquiros, foi menos diplomático: para impedir que ameaçassem seu domínio, trancafiou-os no horrível abismo do Tártaro, apesar dos protestos de Gaia. Junto aos portões do calabouço, colocou um guarda pavoroso: o dragão-fêmea Campe, que tinha rosto de mulher, rabo de
escorpião e escamas de réptil.
Com todos os irmãos distantes ou presos, Cronos ficou tranquilo por algum tempo. Ergueu um palácio na região da Élida, no oeste da Grécia, e de lá governava o mundo. Por esposa, tomou sua própria irmã, a titânide Reia. Porém, assim que a esposa engravidou pela primeira vez, a insegurança de Cronos redespertou: ele temia ter o mesmo destino de seu pai Urano, destronado pelo próprio filho. Para aplacar seu medo, recorreu a um método ainda mais selvagem do que o de Urano. Em vez de encarcerar os filhos, ele os devorava.
“Tão logo cada recém-nascido surgia entre os joelhos de Reia, saindo do ventre sagrado, Cronos – sempre vigiando à espreita, com olhos atentos – engolia-os sem tardar”, escreve o poeta Hesíodo na obra Teogonia, composta no século 8 ou 7 a.C.
Assim, o terrível Tempo devorou vorazmente seus cinco primeiros filhos: Héstia, Deméter, Hera, Poseidon e Hades. Enfurecida pela brutalidade do marido, Reia começou a tramar sua queda. E a Mãe Gaia resolveu ajudá-la.
O nascimento de Zeus
Reia, grávida do quinto filho, escondeu-se no topo do monte Liceu, na Arcádia. À hora mais escura da noite, deu à luz um menino, que foi chamado Zeus. Tomando o neto nos braços, Gaia o levou à ilha de Creta, no mar Egeu. Lá, ocultou-o em uma gruta no Monte Ida e o deixou aos cuidados da ninfa Adrasteia. Voltando à Élida, Reia entregou ao insaciável marido uma pedra envolta em panos. Sem pensar duas vezes, o senhor do tempo a engoliu, mas logo percebeu que havia sido enganado. E saiu pelo mundo, enfurecido, vasculhando continentes e oceanos em busca do bebê Zeus.
Mas o menino estava bem longe dos olhos famintos do pai. Adrasteia o alimentava com mel fresco e com o leite de Amalteia, uma cabra mansa e lanuda que vivia na caverna da ninfa, como mascote. Bem nutrido, o menino crescia rápido e, desde cedo, demonstrou seus poderes divinos. Quando a cabra Amalteia morreu, o jovem Zeus colocou-a no céu, entre as estrelas – onde ela se transformou na constelação de Capricórnio. Mas, enfim, chegou a hora de Zeus abandonar as tranquilas encostas do Monte Ida. Adrasteia sempre lhe dissera que, ao crescer, ele deveria destronar o próprio pai.
Agora, era chegado o tempo de acertar as contas. Antes de atacar Cronos, Zeus foi pedir conselhos à titânide Métis, deusa da astúcia, que vivia solitária junto às ondas do distante Rio Oceano, nos confins da Terra. Ninguém sabe ao certo por que a deusa da Astúcia resolveu ajudar o jovem deus rebelde – talvez estivesse cansada dos desmandos e devastações do senhor do tempo. Ao receber o sobrinho, deu-lhe um conselho: Zeus não deveria atacar o pai abertamente, mas sim oferecer-se como um simples servo, sem revelar sua identidade. Em seguida, Métis entregou ao sobrinho uma poção mágica, recomendando que pingasse algumas gotas na bebida do déspota.
Seguindo o plano, Zeus apresentou-se no palácio de Cronos como se fosse apenas um jovem buscando emprego. Naquela época, os titãs já haviam se multiplicado, e seus filhos e filhas eram muito numerosos – Cronos acreditou que aquele desconhecido fosse apenas mais um exemplar dessa imensa prole. Reia, contudo, reconheceu o filho na hora. Mas não revelou nada a ninguém – apenas sugeriu que Cronos colocasse o recém-chegado na função de copeiro do palácio, encarregado de encher taças com o néctar, a doce bebida dos deuses.
Nessa época, Cronos havia se tornado taciturno e cansado. Apesar de imortal, havia envelhecido: o tempo fizera mal ao Tempo. Certo dia, Zeus lhe estendeu a taça envenenada: junto ao néctar, estava a poção preparada pela Astúcia. Cronos bebeu distraidamente. Num instante, sentiu as vísceras se contorcerem. Uma convulsão horrenda tomou conta de seu corpo e ele vomitou todos os filhos que havia devorado.
Graças às propriedades mágicas da bebida, os filhos de Cronos ressurgiram inteiros, ilesos e em forma adulta, como se jamais tivessem sido engolidos pelo pai. Atordoado e sem saber o que acontecera, Cronos ficou estático no chão, enquanto sua prole escapava do palácio, pronta para a vingança.
<strong>Em sua fortaleza no Monte Ótris, os titãs enfrentaram a rebelião de Zeus e seus irmãos. A grande guerra entre os deuses fez estremecer o céu, o mar e a terra.</strong>Adams Carvalho/Superinteressante
A vitória de Zeus
Zeus agora estava reunido com seus irmãos e irmãs. Como já acontecera anteriormente, o caçula foi escolhido líder. E a guerra entre as duas gerações de deuses teve início. Os titãs reuniram-se para defender seu império; Cronos, que estava desgastado demais para chefiar o combate, declarou seu sobrinho Atlas como comandante-em-chefe. O quartel-general dos titãs foi erguido no alto do Monte Ótris, na região central da Grécia – já os rebeldes fizeram sua base mais ao norte, no cume do Monte Olimpo, na Tessália. A partir daí, Zeus e seus partidários ficaram conhecidos como os olímpicos.
As batalhas entre as duas facções sacudiram o mundo. Os titãs eram mais brutais e violentos. Os olímpicos, mais organizados e astutos. Os combates se prolongaram por dez anos, e o resultado era sempre um empate. Para resolver o impasse, Zeus foi consultar sua avó, Gaia, que tinha o dom da clarividência. A Mãe Terra profetizou: Cronos só seria derrotado quando Zeus libertasse os ciclopes e os hecatônquiros, que estavam aprisionados nas profundezas do Tártaro.
Em segredo, o chefe dos olímpicos desceu ao abismo e enfrentou a horrenda Campe. Derrotado o monstro, Zeus libertou os seis filhos colossais da Terra e convenceu-os a ajudar na luta contra Cronos. Os ciclopes, que eram grandes ferreiros, presentearam os olímpicos com armas mágicas – entre elas, o relâmpago, que se tornou a arma predileta de Zeus.
Liderados por ele, os gigantescos hecatônquiros marcharam contra o Monte Ótris, soltando urros terríveis. “O mar infinito gemia, a terra retumbava forte, o próprio céu estremecia sob os golpes dos imortais”, escreveu Hesíodo na Teogonia. “O estrondo dos pés e a gritaria terrível dos assaltos brutais chegava até as profundezas, enquanto os imortais lançavam dardos sibilantes uns contra os outros”. O relâmpago de Zeus incinerava as florestas nas encostas do monte e fazia ferver a água dos rios. E cada hecatônquiro lançava, num só instante, uma centena de pedregulhos contra as fileiras dos titãs.
A batalha estava vencida, e a era dos titãs havia acabado. O mundo então foi dividido entre os três irmãos olímpicos – Zeus, Poseidon e Hades. Cronos foi aprisionado junto com vários dos titãs nas cavernas subterrâneas – e os hecatônquiros Coto e Giges ficaram de guarda às portas do Tártaro. Já o hecatônquiro Briareu foi viver nas águas do Mar Mediterrâneo – sempre pronto a ajudar Zeus em caso de perigo.
Em recompensa pela ajuda de Métis e Reia, as titânides foram poupadas e continuaram livres. Muitos descendentes dos titãs também receberam o perdão olímpico e passaram integrar a nova ordem mundial: caso de Hélios, o Sol, Selene, a Lua, e Éos, a Aurora, todos filhos dos titãs Hipérion e Teia. O grande Oceano, que se manteve neutro durante a guerra, também foi deixado em paz. Já Atlas, que foi comandante-em-chefe dos titãs na luta contra os deuses olímpicos, teve uma punição exemplar: de pé sobre uma montanha no norte da África, ele foi condenado a segurar para sempre, em cima dos ombros, todo o peso do céu.
Agora, o Olimpo finalmente governava o mundo. Mas ainda faltava surgir um ingrediente crucial na epopeia dos mitos gregos: o ser humano.