terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Como se prevenir do coronavírus?

Não há no momento um tratamento específico para o novo coronavírus. E, se também não temos uma vacina, como se prevenir desse agente infeccioso originário da China?

Antes de tudo, é importante reforçar que nosso país não integra os lugares onde o coronavírus está circulando até agora — temos casos confirmados na Ásia, Europa, Oceania e América do Norte. Ainda assim, a população brasileira está preocupada com esse novo vírus, porque não conhecemos a fundo seus sintomas e complicações e mesmo sua capacidade de transmissão.

Diante disso, veja as respostas para oito dúvidas comuns sobre como se proteger dessa doença. Elas foram escritas a partir de documentos da Organização Mundial da Saúde e da Sociedade Brasileira de Infectologia e de uma entrevista com o infectologista Alberto Chebabo, do centro Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, que pertence ao Grupo DASA:

1. Medidas de higiene pessoal ajudam a se prevenir do coronavírus?

Ele é transmitido por gotículas de saliva e catarro que se espalham pelo ambiente. Até por isso, a principal forma de prevenção é lavar as mãos com água e sabão frequentemente, em especial após tossir, espirrar, ir ao banheiro e mexer com animais. Ter um frasco de álcool gel na bolsa também é indicado.

Ao adotar essa estratégia, evita-se que o vírus acesse seu organismo após você colocar as mãos em uma superfície contaminada. A mesma medida, aliás, vale para afastar o risco de gripe e outras tantas infecções.

2. Como evitar a infecção em locais públicos?

Primeiro, reforçamos que não há motivo para pânico. A mortalidade do coronavírus não parece ser muito alta e ele não está disseminado no Brasil.

Ainda assim, vale seguir aquela recomendação aplicada a qualquer doença que se dissemina pelo ar: mantenha distância de pessoas que apresentem sintomas como tosse, coriza e febre.

Por outro lado, ao espirrar e tossir, cubra o rosto com um braço ou lenço descartável. Seguindo essas orientações, você cuida de quem está ao seu redor e de si mesmo.

3. Usar máscara no rosto evita o coronavírus?

Você provavelmente já viu imagens de pessoas nas ruas da China com máscaras no rosto em reportagens dos telejornais. E sim: ela pode reduzir um pouco o risco de infecção.

No entanto, o acessório é recomendado em situações locais de surto intenso. Esse é o único cenário no qual se indica a máscara para a população geral.

Até porque, quando não empregada corretamente, ela só dá uma falsa sensação de segurança. No mais, de pouco adianta vestir esse equipamento e não lavar as mãos.

4. Posso viajar para lugares onde há circulação do vírus?

O Ministério da Saúde, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) recomendam que viagens para a China sejam realizadas somente em situações de extrema necessidade. Até agora, não há restrições para outros destinos — mesmo onde surgiram alguns poucos casos, como nos Estados Unidos.

Se for impossível adiar uma ida à China, siga as medidas de higiene pessoal e evite grandes aglomerações. Também prefira alimentos cozidos e não compartilhe talheres.

Ah, e lembre-se de não passar as mãos nos olhos, nariz e boca ou entrar em contato com bichos doentes.

Outro conselho é manter a caderneta de vacinação em dia, mesmo que não haja imunizante para o novo problema. Isso porque, em conjunto com o coronavírus, outros vírus e bactérias causariam estragos adicionais.

Um estudo chinês, publicado no periódico The Lancet, investigou os sintomas e grupos mais vulneráveis a essa doença e mostrou que a maior parte dos quadros graves se deve à imunidade baixa dos pacientes.

Ou seja: o coronavírus é mais perigoso para quem está com o sistema imunológico fraco, o que pode ocorrer devido à ação de outras infecções, a exemplo da gripe, que tem vacina.

5. Quais as orientações para quem acaba de chegar da China?

Basicamente, fique atento aos sintomas. Se você apresentar febre e sintomas respiratórios dentro de 14 dias, compareça à unidade de saúde mais próxima e não deixe de informar seu histórico de viagem.

6. Tenho que tomar algum cuidado especial em aeroportos?

Como ali há deslocamento de pessoas do mundo todo, é crucial aderir às medidas de higiene e prevenção em locais públicos.

Nos aeroportos brasileiros, há distribuição de materiais informativos e avisos nos auto-falantes sobre como se comportar. A principal medida é que pessoas com quadro febril procurem o atendimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária no próprio local.

7. Posso comprar produtos importados da China?

Boa notícia para quem anda preocupado com as compras online: não há possibilidade de o vírus continuar ativo até chegar no Brasil.

Fora de um organismo vivo, o coronavírus não sobrevive por muito tempo. Como o tempo de deslocamento dos produtos de lá para cá é grande, ele não resistiria à viagem.

8. Vou conseguir comemorar ou viajar no Carnaval?

Por enquanto, não há restrições além das que foram citadas. Caso algo mude, o Ministério da Saúde irá informar a população.

Agora, o Carnaval é um momento em que muita gente de locais diferentes se aglomera, seja na praia, nos blocos de rua ou nos sambódromos. Falando de coronavírus ou não, a recomendação é não ficar perto de pessoas com sintomas de infecções respiratórias e, se estiver doente, evitar as festividades.


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Câncer: o que falta para a Lei dos 30 dias sair do papel

Não é novidade que o câncer está entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Segundo estimativas do Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada seis mortes são relacionadas à doença, sendo que 70% ocorrem em países de baixa e média renda. O atual cenário brasileiro de corte no orçamento e de envelhecimento da população torna os desafios do SUS ainda maiores para oferecer um tratamento universal, gratuito e de qualidade.

Mas toda grande mudança surge de pequenas ações, individuais ou coletivas. E, no caso do câncer, mudanças de hábitos individuais e melhorias no sistema de saúde para garantir um diagnóstico precoce fazem muita diferença no tratamento dos pacientes e na gestão do SUS.

Por exemplo: quando um câncer de mama é diagnosticado precocemente, as chances de cura podem chegar até 95%. O problema é que no Brasil a espera pelo diagnóstico pode levar até 200 dias, segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU).

Para o paciente, isso significa tratamentos mais agressivos, menos qualidade de vida e piores taxas de sucesso. Para o sistema, sobrecarga de serviço e impacto orçamentário negativo, pois tratar o câncer em estágios avançados sai muito mais caro.

Segundo outro levantamento do TCU de 2016, o custo para tratar uma paciente na pré-menopausa com câncer de mama diagnosticado em estágio inicial é quase duas vezes menor do quando ela só tem a confirmação da doença em fase avançada. Os valores caem de R$ 93 241 para R$ 49 488.

Há cinco anos, a FEMAMA e sua rede de ONGs associadas mobilizaram o Congresso Nacional para aprovação da Lei dos 30 dias, que estabelece que os exames necessários para a confirmação do diagnóstico de câncer sejam realizados no SUS no prazo máximo de um mês. A lei foi sancionada em outubro de 2019 pelo vice-presidente Hamilton Mourão e entrará em vigor em abril de 2020, caso haja regulamentação.

Infelizmente, a notificação de casos de câncer ainda é precária, dificultando a fiscalização dos prazos determinados por lei para diagnóstico e início de tratamento. A FEMAMA, com o suporte das 71 ONGs associadas, acompanha de perto a jornada dos pacientes, promove conhecimento sobre seus direitos, além de incluir na agenda do governo a questão do câncer a fim de promover soluções para aprimorar o cenário atual.

Os fatores que causam o atraso no diagnóstico são conhecidos. Apesar dos inúmeros avanços das últimas décadas, o SUS e seus profissionais e usuários convivem diariamente com a falta investimento e a dificuldade de comunicação entre os níveis federal, estadual e municipal, além da concentração de recursos em grandes centros.

Impossível continuarmos admitindo que atrasos na regulamentação da notificação compulsória se repitam e prejudiquem a jornada dos pacientes. A regulamentação da Lei dos 30 dias pelo Ministério da Saúde é urgente para que haja transparência e controle dos esforços.

Esses atrasos impactam diretamente no tratamento e na vida de centena de milhares de pacientes. É hora de enfrentar a doença com compromisso e responsabilidade para avançarmos na redução dos índices de mortalidade por câncer no Brasil.

Se cada um fizer a sua parte, certamente conquistaremos um diagnóstico ágil e adequado para pacientes oncológicos.

*Dra Maira Caleffi é presidente voluntária da FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento e líder do Comitê Executivo do City Cancer Challenge Porto Alegre


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Uso moderno das cirurgias é eleito o avanço do ano contra o câncer

O 4 de fevereiro marca o Dia Mundial do Câncer. Em homenagem à data, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica divulgou um relatório sobre o que considera ser o avanço do ano contra tumores: o refinamento da cirurgia.

O documento, claro, aborda os avanços técnicos e tecnológicos que possibilitaram operações mais precisas, que geram menos efeitos colaterais. No entanto, seus autores dão destaque especial para como a utilização de remédios modernos moldou a cirurgia oncológica nos últimos anos.

“Nosso reconhecimento de avanço do ano é para a forma como os tratamentos sistêmicos contra o câncer ajudaram a melhorar a eficácia e a reduzir o tamanho das cirurgias”, afirma Howard Burris, presidente da entidade.

Explica-se: tratamentos medicamentosos como a imunoterapia e a terapia-alvo podem ser úteis antes de uma operação, diminuindo a extensão da enfermidade. Isso ajuda os cirurgiões a fazerem procedimentos menores e pouco invasivos sem comprometer as chances de sucesso.

Além disso, algumas drogas de última geração podem ser administradas após a intervenção cirúrgica para eliminar pequenos focos de câncer que não foram extraídos com o bisturi. Isso ameniza o risco de a doença retornar.

Tal progresso permite que mais pessoas se submetam a cirurgias capazes de melhorar consideravelmente a qualidade e o tempo de vida. Ao mesmo tempo, minimiza a probabilidade de alguém se submeter a uma operação grande e de eficácia reduzida.

Essa já é a 15ª vez que a Sociedade Americana de Oncologia Clínica elege um avanço do ano. Em 2019, os tratamentos para tumores raros levaram o prêmio. No ano anterior, as chamadas CAR-T Cells, uma técnica que modifica geneticamente células do próprio paciente para enfrentar a doença, ficaram com o título. Antes disso, a imunoterapia havia sido reconhecida pelos experts.

As prioridades para acelerar o progresso contra o câncer

Os autores do mesmo relatório também listaram pontos que precisam ser trabalhados para lidarmos melhor com essa enfermidade nos próximos anos. São eles:

  • Identificar estratégias para antever melhor as respostas do tratamento com imunoterapia
  • Limitar a extensão das cirurgias com tratamentos sistêmicos
  • Pesquisar e aprimorar a medicina de precisão em cânceres pediátricos ou raros
  • Otimizar o cuidado a idosos com um tumor maligno
  • Aumentar o acesso de populações mais carentes a pesquisas clínicas
  • Reduzir as reações adversas do tratamento oncológico
  • Diminuir a obesidade e seu impacto na incidência do câncer e nas complicações ligadas a ele
  • Detectar melhor lesões pré-cancerosas e predizer qual o tratamento necessário para elas

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Rachadura nos pés: quais as causas e os tratamentos?

A leitora Jucy Alves nos pediu pelas redes sociais: “Por favor, falem sobre rachaduras nos pés. Sintomas, causas, remédios, cura… Dizem que tem ligação com a tireoide, será? Agradeço.”

Vamos lá, Jucy. As rachaduras nos pés são um problema super comum, resultado geralmente de uma mistura de espessamento da pele do calcanhar, impacto sobre ele e ressecamento.

Elas ocorrem quando usamos sapatos abertos, como chinelinhos, andamos muito descalços ou passamos anos e anos lixando a sola dos pés — que entende que deve produzir mais pele como defesa e promove esse “engrossamento”. Estar acima do peso também aumenta o risco de rachaduras.

Rachaduras no pé podem ser sinal de algo mais grave?

“Alguns problemas de pele aparecem junto com as fissuras, como psoríase, micose e alergias. Elas podem surgir tanto no corpo todo como só nos pés”, comenta a dermatologista Alessandra Romiti, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Além disso, certas doenças crônicas contribuem com o ressecamento da pele. O diabetes é a mais comum. Mas o hipotireoidismo, uma disfunção na tireoide que a faz trabalhar em ritmo lento, também pode causar rachaduras no pé, viu Jucy?!

“O hormônio da tireoide estimula as glândulas sebáceas e sudoríparas. Quando ele está em falta, há uma diminuição da hidratação da pele, que fica mais grossa e seca, o que leva a rachaduras”, explica Maria Fernanda Barca, endocrinologista doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Agora, fissuras nos pés não integram os sintomas mais comuns do hipotireoidismo. “A relação não é tão direta assim. Os sinais mais clássicos são desânimo, cansaço, fadiga, queda de cabelos e alterações de humor”, opina Márcia Mestiço, endocrinologista na Clínica Simone Neri.

Agora, em caso de rachaduras frequentes, é necessário avaliar se há causas sistêmicas por trás. “Descartar hipotireoidismo e diabetes faz parte da investigação do problema”, aponta Maria Fernanda.

Tratamento e prevenção

Se o problema for só a rachadura, é possível fazer o tratamento local, que foca na hidratação. O dermatologista recomenda cremes específicos de acordo com as necessidades de cada um. Às vezes, cremes cicatrizantes chegam a ser recomendados.

“Mudanças comportamentais também ajudam. Falamos de controlar o peso, usar sapatos fechados com sola acolchoada e vestir meia de algodão”, destaca Alessandra. Essas medidas ainda previnem o surgimento de novas fissuras.

Só resista à tentação de lixar os pés ou utilizar receitas caseiras sem confirmar sua validade com o médico antes. Acredite: isso pode piorar o problema. Independentemente da origem, essas lesões são bem incômodas e abrem a porta para infecções oportunistas.

Por isso, não deixe de procurar o médico se elas aparecerem constantemente.


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Coronavírus: o que os idosos devem saber para se prevenir

Se você é idoso, talvez esteja assustado com as últimas notícias sobre o coronavírus. Elas informam que mais da metade das vítimas dessa infecção têm mais de 50 anos de idade e diagnóstico de alguma doença crônica.

O novo vírus, que ataca o sistema respiratório, teve seu ponto de partida na região de Wuhan, na China, deixando o mundo todo em alerta. Apelidado pelos cientistas de 2019-nCoV, ele pertence à família dos coronavírus, um grupo que reúne desde agentes infecciosos que provocam sintomas de resfriado até outros com manifestações mais graves, como os causadores da SARS (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave) e da MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

De acordo com um artigo publicado pelo jornal americano o New York Times, o maior índice de mortalidade foi entre os idosos. Em média, os afetados teriam 75 anos de idade.

Porque os idosos são mais suscetíveis ao coronavírus?

Um motivo importante é a imunossenescência. Trata-se de um processo natural do envelhecimento, que diminui a capacidade do sistema imunológico. Como resultado, aumenta de modo geral a incidência de doenças infectocontagiosas em idosos. Isso vale para o coronavírus, para a gripe e por aí vai.

Quando os idosos apresentam comorbidades (a exemplo de diabetes, cardiopatia e doenças pulmonares como o DPOC), o risco de infecção e complicações sobe ainda mais.

Como o idoso deve se prevenir do coronavírus?

Há medidas simples e eficazes:

• Cuide bem da saúde
• Mantenha-se hidratado
• Lave com maior frequência as mãos
• Evite o contato com pessoas vindas de áreas com casos confirmados da doença

Outra medida fundamental é manter em dia o calendário de vacinação recomendado pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Não é que já exista uma vacina disponível que reduza o risco de infecção por coronavírus. Na verdade, ao se proteger de outras infecções, você mantém o organismo mais forte para conter os avanços desse novo inimigo. Fora que a vacinação reduz o risco de confundir o coronavírus com influenza, o causador da gripe, por exemplo.

Agora, embora o contexto mundial realmente seja alarmante, no Brasil não há casos confirmados até o momento. No mais, sabemos que a taxa de mortalidade pela doença não é alta, em comparação com SARS e MERS.

Por outro lado, trata-se de um vírus com capacidade significativa de contágio, o que realmente exige medidas eficazes de prevenção. Idosos perdem a funcionalidade e se fragilizam rapidamente frente a uma infecção. Todo cuidado é pouco!


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sábado, 1 de fevereiro de 2020

Novo acessório ajuda em casos de engasgo

Em 2017, o Ministério da Saúde registrou que 777 pessoas de até 14 anos morreram sufocadas no Brasil. Dessas, 75% eram menores de 1 ano. De olho nos dados, a empresa R9C Sterifarma trouxe ao país o desengasgador LifeVac, composto de uma máscara e uma válvula parecida com um desentupidor de pia.

“Ele oferece mais um passo para conseguir salvar vítimas de engasgamento”, informa Marcelo Sanglard, diretor da R9C.

O acessório está à venda na internet e deve ser usado caso as manobras tradicionais não deem certo antes de a ambulância chegar. Ah, e ele funciona apenas em engasgos provocados por corpos estranhos sólidos.

Aprenda o que deve ser feito aí embaixo:

<span class="hidden">–</span>ilustrações: Rodrigo Damati/SAÚDE é Vital

Vilões do engasgo

Balas e pirulitos, caroços de frutas, brinquedos com peças pequenas e acessórios de roupa são os itens que mais obstruem as vias aéreas dos pequenos. Além disso, comer ao andar ou falar aumenta o risco de sufocamento.


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Entenda de uma vez: o que é nacionalismo, globalismo – e outros “ismos”

Você já deve ter visto nas redes sociais palavras como globalismo e nacionalismo. Pois é, esse negócio de relações internacionais é e sempre foi uma confusão. Mas dá para tentar montar um pequeno mapa do que está acontecendo no planeta nas últimas décadas, e do que deve continuar acontecendo, nas décadas vindouras. Então aqui vai nosso pequeno dicionário dos “ismos” do mundo no século 21.

O internacionalismo (também chamado de globalismo em algumas bandas) é um tipo de visão de mundo que se fortaleceu cada vez mais – com altos e baixos, óbvio – a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, com a criação da Organização das Nações Unidas e suas instituições filhotes e/ou assemelhadas. A ideia central por trás do internacionalismo é a busca por transcender os interesses locais, dos Estados individuais (como o Brasil, os EUA, a Alemanha, a China etc.), em favor de algum tipo de visão que favoreça a comunidade internacional como um todo.

Segundo esse ponto de vista, embora todos continuemos sendo cidadãos do Estado brasileiro, do Estado americano etc., sujeitos a leis específicas dessas entidades que obviamente só têm efeito local, também temos direitos – em especial os direitos humanos proclamados pela ONU – que transcendem essa legislação local e podem até estar acima dela.

Mais do que isso, é dever de indivíduos e Estados, segundo essa perspectiva, trabalhar para que as relações internacionais se pautem por ações diplomáticas pacíficas e pela busca de interesses comuns a toda a humanidade. Talvez o melhor exemplo desse último esforço sejam os acordos ambientais globais – que têm tido níveis bem mequetrefes de sucesso prático, é verdade, mas são melhores do que nada.

Outro exemplo é o dos fluxos internacionais de capital. Eles podem levar a investimentos produtivos de alguns países em outros, mas também encorajam especulação financeira destrutiva.

O nacionalismo é o reverso da moeda. A ideia aqui é que os Estados-nação – ou seja, organizações políticas estatais que abarcam um povo com características próprias – são a coisa que mais importa nas relações internacionais. Estados devem resistir a qualquer tentativa de controle externo forte à maneira como são geridos. Cada Estado-nação tem o direito de se proteger de ameaças externas e de garantir seus interesses econômicos e políticos; se isso acabar levando a guerras, bem, é a vida. Segundo essa visão, as entidades nacionais não são só um fruto de acidentes históricos que levaram à construção de um país ao longo dos séculos. Elas também envolveriam uma essência cultural e “espiritual” que deve ser preservada.

Que tal dois exemplos de como essas ideias se misturam e batem de frente no mundo moderno? Tente o Oriente Médio. Nos anos 1960, alcançou seu auge o pan-arabismo, uma mescla de internacionalismo e nacionalismo que enxergava a vasta região geográfica em que se fala alguma forma de árabe – do Marrocos ao Iraque – como uma espécie de “nação natural”. Os povos de fala árabe deveriam se unir para se fortalecer e enfrentar seus inimigos. Em parte, a ideia ganhou corpo porque os Estados-nação árabes do século 20 nasceram de fronteiras mais ou menos arbitrárias estabelecidas por potências europeias que os invadiram e dominaram, encabeçadas pelo Reino Unido e pela França. O Egito e a Síria chegaram a ser um só país de 1958 a 1961 graças a essa visão ideológica.

Um dos motivos para a derrocada do pan-arabismo foram as sucessivas derrotas da aliança de países árabes em guerras contra Israel, um Estado fundado nos princípios do sionismo. O nome vem de Sião, uma das designações bíblicas de Jerusalém. No fim do século 19, oprimidos por movimentos nacionalistas em alguns dos países europeus onde viviam, judeus passaram a defender a volta de seu povo ao lar ancestral dos israelitas no Oriente Médio. Era, no fundo, a tentativa de enfrentar o nacionalismo com seu próprio nacionalismo. A criação de Israel, contudo, deixou os palestinos que lá estavam sem uma terra para chamar de sua. Uma solução pacífica ainda parece distante.


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